quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A Mãe de Lutero


Estamos nos aproximando da reforma e estou retomando os escritos de Lutero para me aprofundar e algumas descobertas estarei compartilhando com vocês. Hoje eu focalizei a mãe de Lutero na semana que vem focalizarei o pai de Lutero. O que se pode dizer da mãe de Lutero? Será que existia uma relação bonita entre mãe e filho? Não há muitas informações a respeito de sua mãe. Melancton a qualifica de uma “honesta matrona”. Devia ser uma mulher sofrida, pois ela mesma costumava até recolher a lenha para o fogo da cozinha. O pintor Lucas Cranach a retratou quando já era anciã, com os frios lábios cerrados. Pelo retrato, nota-se que Martinho Lutero herdou muitos traços de sua mãe. Sabe-se que era uma mulher muito supersticiosa. Margarida também era uma mulher que se deixava levar pela irritação. O filho foi castigado duramente, a ponto de sangrar, isto demonstra sua frieza em tratar com seus filhos. Se Martinho Lutero comentou a respeito deste castigo, por ter ele roubado uma noz(LUTERO, Martinho. Conversas à Mesa 3566,III páginas 415 e 416), é porque isto ficou gravado em sua memória e, naquele momento, com os seus convidados, ele lembrou. Apesar de falar com ternura de seus pais, este episódio deve ter trazido marcas profundas a sua personalidade. Segundo o que escreve Garcia-Villoslada, um moderno psicanalista chamado Erik H. Erikson, em seu livro intitulado “The Young Luther”, observa o
desprovido conceito que o reformador teve sempre da mulher e sua falta de idealidade – principalmente quando ele tratava do matrimônio – e pergunta “Será por que este homem não teve uma mãe?”(GARCIA-VILLOSLADA, Ricardo. Martin Lutero, Volume I. Pág. 45, 46).
Margarete aparece completamente relegada a segundo plano, atrás de seu imponente marido, que manteve seu filho submetido a sua vara de tal maneira que a Reforma poderia se
explicar como protesto contra os pais desumanos, bem se chamem Hans, Papa ou Deus. Parece totalmente impensável que também a mãe pudesse haver exercido alguma influência sobre o jovem. Este seria o motivo porque a figura de Margarete Luder aparece tão empalidecida e pouco marcada: uma mulher sensível, carente de instrução e supersticiosa. (OBERMAN, Heiko A. LUTERO, Un hombre entre Dios y el Diablo. Página 107). Em uma campanha difamatória de seu nome e de sua mãe, promovida em 1533 por Johannes Cochläus, Lutero responde: Quando o diabo não pode arremeter contra a doutrina, ataca a pessoa, mente, difama, blasfema e enlouquece de fúria contra ela. Assim fez comigo o Belzebu dos papistas; ao não poder se opor ao meu evangelho, escreveu que eu estava possuído pelo demônio e que era um endemoninhado e minha amada mãe uma puta e uma empregada de casa de banhos. E de pronto,
se não tivesse escrito isto, meu evangelho estaria perdido e os papistas haviam ganho. (LUTERO, Martinho. WA 53. 511, 28-34; 1543.). Assim que der estarei divulgando mais alguns detalhes da vida e obra deste grande homem.
Creio que dá pra ter uma certa visão da mãe de Lutero a partir destas compreensões aqui escritas.

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